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Será que o cristão não deve julgar? Somos orientados a não julgar o que está errado?

Introdução

Será que o cristão não deve julgar? Somos orientados a não julgar o que está errado? Como seria a igreja hoje, se Martinho Lutero não tivesse julgado a igreja católica com suas 95 teses? Qual seria o destino do cristianismo? Vamos descobrir o que as Escrituras Sagradas nos ensinam sobre isso?

Ponha de Lado sua Religião e Leia Com os Olhos do Entendimento!

“Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos” (Jo 7:24).

Este é um tema muito polêmico e atormenta a mente de muitos cristãos. Para a maioria, a resposta instantânea é “Não devemos julgar”, ou então “O julgamento pertence a Deus”! Mas, será mesmo? Será que até hoje, não fomos orientados com versos fora de contexto? Neste estudo, descobriremos que, não somente devemos julgar o que está errado, como também, em alguns momentos, chega a ser um mandamento!

Analisando a Palavra “Julgar” no Original

Antes de tudo, precisamos entender o verdadeiro significado desta palavra no original em grego. O termo “julgar”, no sentido moderno é condenar algo ou alguém. Acontece que no Novo Testamento “julgar” vai muito além do conceito secular de condenar simplesmente! O uso da expressão grega “krino” significa: examinar, comparar, avaliar, distinguir, discernir, separar, decidir, concluir, resolver, deliberar. Ou seja, tudo tem relação com o uso da razão, permitindo-nos avaliar, criticar e formar juízo.

De imediato, podemos afirmar os tipos de julgamentos que não devemos fazer: “Não devemos julgar pela aparência” (Jo 7:24) e “não devemos julgar algo que também cometemos na mesma proporção ou pior” (Mt 7:3-5). Com exceção a estes tipos, o restante é nosso dever julgar.

Trecho Muito Utilizado para Afirmar que não Devemos Julgar, mas desta Vez, Dentro do Contexto

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós”. (Mt 7:1,2).

Aparentemente, parece dizer que não devemos julgar, quando lemos este trecho isolado. Mas vamos continuar a leitura para o entendimento

“E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão” (Mt 7:3-5).

Lendo dentro do contexto, já temos uma outra visão. Jesus está criticando pessoas que estão julgando, porém cometem pecados maiores. São hipócritas e por isso veio a crítica! Se cometemos o mesmo pecado (ou algo pior), seremos julgados na mesma medida que julgamos. Note que Ele não diz para não julgar, mas sim, que a pessoa primeiro corrija suas próprias falhas!

Alguns Versículos onde a Bíblia Ordena que Julguemos:

  • “Você julgou bem” (Lc 7:43);
  • “Por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?” (Lc 12:57);
  • “Julgai segundo a reta justiça” (Jo 7:24);
  • “Para vos envergonhar o digo. Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?” (1 Co 6:5);
  • “Julgai vós mesmos o que digo” (1 Co 10:15);
  • “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (1 Co 14:29).

Jesus nos ensinou a observarmos os frutos de uma pessoa, lembra? E por meio dos frutos, podemos saber se esta pessoa é ou não de Cristo, certo? Observar os frutos não é um julgamento? E não foi orientado por Cristo?

Vamos Analisar o que Diz sobre os Falsos Profetas e Falsas Doutrinas:

  • “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores” (Mt 7:15);
  • “Recomendo-lhes, irmãos, que tomem cuidado com aqueles que causam divisões e colocam obstáculos ao ensino que vocês têm recebido. Afastem-se deles. Pois essas pessoas não estão servindo a Cristo, nosso Senhor, mas a seus próprios apetites. Mediante palavras suaves e bajulação, enganam os corações dos ingênuos” (Rm 16:17-18);
  • “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” (2 Tm 3:5);
  • “Irmãos, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo nós lhes ordenamos que se afastem de todo irmão que vive ociosamente e não conforme a tradição que receberam de nós” (2 Ts 3:6);
  • “E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as” (Ef 5:11).

Não há a menor possibilidade de cumprir nenhum desses versículos se partimos do princípio de “não julgar”. Note neste último citado (Ef 5:11) que somos orientados a condenar obras infrutuosas das trevas. Você conhece alguma forma de condenar sem julgar?

Ainda há muitos outros. Veja:

  • “Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (1 Jo 4:1);
  • “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo… Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras” (2 Jo 1:7,10-11).

Análise de Romanos 2:1

Basta começar a falar no tema “julgamento” que muitos se levantam com versículos isolados e, o mais utilizado de todos, é o versículo que será abordado a seguir.

“Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas” (Rm 2:1).

Lendo este verso isolado, parece realmente levantar uma dúvida se um cristão deve julgar. Mas, sabe quem utiliza este trecho desta forma? Pessoas que não têm o menor conhecimento da Palavra ou que não querem seus atos julgados pelos irmãos (principalmente alguns líderes religiosos!).

Importante

Lendo todo o contexto (Rm 1:18 à Rm 2:3) fica claro o entendimento de Rm 2:1. Ali diz que, aqueles que julgam, estão condenando a si próprios, por estarem cometendo exatamente os mesmos erros! Este é o verdadeiro sentido deste texto! E outro detalhe: o próprio apóstolo Paulo, não está julgando nesta carta? Aliás, a maioria das cartas escritas pelos apóstolos, continham julgamentos de algo que estava errado.

Talvez você esteja se perguntando do texto de Tg 4:11,12. Afinal, nestes versículos parecem dizer para não julgar! E se assim for, como afirmar que um cristão deve julgar? Pois, é! Leia todo o capítulo 4 e verás que é mais um engano daqueles que dizem “Não julgueis”! Neste contexto, Tiago está criticando os hipócritas. Logo nos primeiros versículos, ele já começa falando das guerras, contendas, cobiças, invejas que havia entre os cristãos judeus. E foi exatamente por este motivo que ele criticou o julgamento! Por hipocrisia! Irmãos que cometiam os mesmos pecados, julgavam os pecados dos outros.

O Joio e o Trigo Crescendo Juntos

É preciso lembrar também que o joio está crescendo no meio do trigo! Nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor” entrará no Reino dos céus (Mt 7:21). Contudo, este “joio” está em nosso meio espalhando falsas doutrinas. É nosso dever julgar segundo a justiça para que tais ensinamentos não se espalhem como suposta “verdade”!

Pois bem, agora sabemos que um cristão deve julgar segundo a reta justiça (não por aparência nem erros que também cometemos)! Como julgar aqueles irmãos que vivem no erro ou no engano? O ponto mais importante é saber que devemos agir sempre no amor! Nada de querer “fulminar” o erro ou o engano de alguém. Não é isso que a Bíblia ensina e precisamos ter em mente que não somos melhores do que ninguém. Tratemos sempre com amor, evidenciando o que a Bíblia diz sobre o assunto.

Para Meditar

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17:11).

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Atualmente, existem entre nós, cristãos e falsos cristãos. A bíblia fala sobre o joio crescendo junto com o trigo.

Autor: Nelson Júnior

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